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Série Poetas | Cinema de Poesia

Série Poetas

A Série Poetas e a quebra do Corpo Fotográfico – 2004/2005

Ora, o olho que vê o quadro sendo pintado torna a visão do outro um instrumento poético ilimitado com o auxílio das diferenças dos meios: música-pintura-poesia-cinema. Refazendo-se assim o invisível filtro da mecânica da contradição: tudo pode ser imagem desde que haja passagens alteradas da linguagem para o pensamento.

A Série Poetas é formada por quatro curtas-metragens: Jardim, Elevador, Trem e Moinho. Nos trabalhos anteriores (The Play, Três tons), vimos a pintura, a fotografia e a abstração da imagem conseguidas com a utilização de recursos digitais. A proposta era alcançar a abstração da imagem no momento da captação pela câmera, e não na montagem. O estudo procurava a quebra da imagem naturalista, real, registrada pela câmera – uma caligrafia com a câmera, como se ela fosse uma caneta na mão de um escritor. Na década de 50, Alexandre Astruc havia proposto a câmera-caneta, de forma que escrevia novos movimentos com a imagem, utilizando o equipamento cinematográfico com liberdade.

Alterando o tempo de exposição de cada quadro, uma pesquisa de câmera é iniciada para pintar abstratamente a realidade com o movimento. Quebrando a relação de cópia com a realidade, continua o estudo iniciado em Três tons sobre o poema de um pintor, onde a câmera atua como um pincel, e a movimentação corporal possibilita a captação de uma imagem próxima à tinta. Percebemos a polifonia artística no processo de captação, incluindo características do processo de criação de um pintor e de um bailarino para alcançar uma imagem-tinta. Com a variação de velocidade e ângulo, a pintura é realizada.

Curta-metragem Jardim do Poeta

Curta-metragem Jardim do Poeta

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O curta-metragem Jardim do Poeta foi finalizado em julho de 2004 e tem duração de seis minutos. A música clássica é a trilha sonora do filme. O filme foi exibido na Polônia, no Canadá, nos Emirados Árabes, no Egito, na Colômbia, na Índia e em Portugal.

Elevador do Poeta – 2004

O curta-metragem Elevador do Poeta foi produzido no interior do Espaço Cultural dos Correios e tem duração de três minutos. O objetivo era a continuação da pesquisa iniciada no curta-metragem Jardim do Poeta, só que realizado em um espaço restrito e urbano, uma antítese em relação ao espaço natural e livre do jardim. Um outro movimento adicional é o deslocamento vertical do elevador.


Algumas imagens captadas possuíam uma estética de fantasia. Para a trilha sonora, foi escolhida a música Rapsody in Blue, de George Gershwin. Na edição das imagens, o objetivo era compor uma sinestesia entre o movimento, a cor e o som. Os elementos fantásticos captados no registro possibilitaram que a realidade fosse descrita de uma forma não naturalista.

Elevador do Poeta

Elevador do Poeta

Elevador do Poeta

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Trem do Poeta – 2005

Durante o festival de cinema de Tiradentes de 2005, foram realizadas imagens para compor o terceiro trabalho dessa série, Trem do Poeta, uma mistura dos espaços anteriores. O estudo, agora, foca-se sobre um longo deslocamento horizontal, restrito pelo espaço do interior do vagão, mas ampliado pela mudança da paisagem e de cores que possibilitavam novos experimentos na textura de uma imagem-tinta. A ilustração seguinte mostra a imagem natural captada pela câmera, com o trem em movimento.

Trem do Poeta

O curta-metragem Trem do poeta foi finalizado em março de 2005. O trabalho estreou na Polônia e teve a honra de abrir o III Festival de Filmes sem Fronteiras, no México. Em junho de 2005, conquistou o prêmio de Melhor Edição no 28º Festival Guarnicê de Cinema – Maranhão. Participou em diversos festivais nacionais e foi exibido em Portugal, na Polônia, na Itália, na Grécia, na Espanha, na Eslovênia, nos Emirados Árabes, na Colômbia, no Egito e no Irã.

Moinho do sonho do poeta na atuação cênica de um poste – 2005


Moinho do sonho

O curta-metragem finalizado em julho de 2005, Moinho de um sonho do poeta na atuação cênica de um poste, encerra a pesquisa dos curtas da série Poetas. O objetivo era investigar o comportamento da imagem-tinta a partir de um objeto fixo e o movimento circular em torno do objeto. O formato do poste e a imagem-tinta registrada pela câmera com o movimento circular forneceram imagens que lembravam as pás do moinho e uma luta incessante. Logo, a figura de Dom Quixote e suas lutas inspiraram o roteiro para a montagem das imagens abstratas.

Moinho do sonho

O poste foi personificado, criou vida, o mesmo conceito que habita a figura de linguagem prosopopeia. Como trilha sonora, foi composta, ao piano, a música Cadafalso Cênico. A partir desses estudos sobre a imagem, a movimentação de câmera, surge a possibilidade de novas narrativas a partir da conjugação de processos artísticos provenientes da pintura, da música, da dança, da literatura, que encontrou amadurecimento no média-metragem Réquiem de um poeta.

RÉQUIEM DE UM POETA 2004 – 2005

Réquiem de um Poeta

Réquiem do poeta é um média-metragem de 55 minutos e possui como trilha sonora o Réquiem de Mozart. Réquiem de um Poeta unifica os estudos de imagem realizados nos trabalhos anteriores. Da série Poeta, o aprendizado e a evolução da técnica da imagem-tinta, do trabalho The Play, a sobreposição de camadas, e, em Três Tons, a ampliação da investigação entre a cor, o som, o movimento, a pintura, o cinema e a poesia. Os quadros da pintora expressionista Carlinda Brandão constituem a base das imagens do trabalho.

Réquiem de um Poeta

Para a composição do Réquiem de um Poeta, além da obra da pintora, foram registradas imagens das igrejas históricas de Tiradentes e São João Del Rey. O objetivo era construir uma obra que fizesse dialogar as imagens de seus quadros com a natureza e a arquitetura barroca das igrejas.

Abaixo, duas imagens: a primeira realizada na captação em uma floresta e a segunda no interior de uma igreja em São João del Rey.


Réquiem de um Poeta

Réquiem de um Poeta

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Ora, o olho que vê o quadro sendo pintado, torna a visão do outro um instrumento poético ilimitado com o auxílio das diferenças dos meios: música-pintura-poesia-cinema. Refazendo-se assim o invisível filtro da mecânica da contradição: tudo pode ser imagem desde que haja passagens alteradas da linguagem para o pensamento.

Assim foi composto esse réquiem, em homenagem ao professor de filosofia e cinema Chico Elia, e dedicado a Morvam Brandão.

Réquiem de um Poeta

Réquiem de um Poeta

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Com relação à poesia, o média-metragem possui uma estrutura similar, a epopeia, divisão em cantos, elementos ligados aos elementos naturais. Nas imagens abaixo, os quadros da pintora impressionista, compostas pelos elementos do fogo e da água.

Réquiem de um Poeta

Réquiem de um Poeta

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Réquiem de um Poeta encerra o estudo de movimentos entre a imagem e a câmera-tinta, por meio de experimentações entre foco, aproximação, variação de ângulos e ajustes óticos; a luz é desenhada a partir da dança do cinegrafista. As imagens seguintes foram realizadas no interior da igreja, utilizando esta metodologia.

Réquiem de um Poeta

Réquiem de um Poeta


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A trilha sonora é o Réquiem de Mozart na versão integral, em total sincronia com o estilo barroco do filme. O crítico de cinema Luiz Rosemberg Filho escreve sobre o média:

“Na experimentação da imagem da subjetividade, é uma vigorosa expressão na linguagem da música sonhada pela pintura, que vai às profundezas da poesia, lapidada pelo Cinema. O éter se estende pela alma dos movimentos e das cores. O lado sensível capta essa extensão de êxtase. Como afirma Bachelard na sua “Poética do Espaço”: a imagem poética nos coloca diante da origem do ser falante”.


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