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Três tons Sobre o Poema de um Pintor | Cinema de Poesia

Três tons Sobre o Poema de um Pintor

Pesquisa artística do grupo Cinema de Poesia (2004-2009)

Tudo o que os primeiros filmes precisam ter: um olhar pelo cinema e pela vida, uma declaração de princípios do que o cinema pode ser, do que se busca no cinema, do que lhe interessa investigar em particular.

Marcelo Ikeda

Três tons sobre o poema de um pintor


O curta inicial da pesquisa, Três tons sobre o poema de um pintor, revela o processo criativo do artista plástico Morvan Brandão. Reúne, ainda que timidamente, pintura, música, literatura e cinema, constituindo o marco inicial da trajetória do Cinema de Poesia.

As imagens foram gravadas em uma tarde, no início de janeiro de 2004, no ateliê do artista. Para a captação de imagens, a pesquisa proposta era que a câmera imitasse o movimento do pincel sobre a tela, acompanhar a mão no ato da criação com o movimento da câmera em sincronia. Com a intenção de investigar o processo de criação da arte da pintura de Morvan, foi possível perceber que, para a composição de uma tela, diversos quadros eram pintados um sobre o outro, formando camadas.

Quadro em processo de criação

Curta-metragem Três tons sobre o poema de um pintor

Fotos de Morvan Brandão

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Morvan era intenso, compulsivo e, por vezes, trabalhava em sete quadros simultaneamente. Esse conceito plástico de sobreposição de camadas era essencial para o entendimento do conceito de arte utilizado por ele. A primeira busca na estética do trabalho era realizar, nas imagens em movimento, o mesmo conceito de imagens sobrepostas que ele utilizava na criação de suas telas. Eram necessários muitos enquadramentos, closes e detalhes para a obtenção de uma palheta de imagens e cores suficientes para a realização dessa proposta.

O nome do curta-metragen revela sua principal pesquisa durante o processo de montagem: investigar a relação entre o tom da cor e o tom da nota, ou seja, seu timbre. A Fotografia foi de extrema importância para retratar a multiplicidade de cores e tons no processo de criação. Para compor uma tela, inúmeras texturas foram utilizadas até se alcançar o objetivo esperado. Utilizando as imagens brutas captadas e recursos digitais, o curta-metragem tornou-se uma referência direta do processo criativo de arte do pintor, utilizando em cada trecho texturas de azul, vermelho e branco. Essa pesquisa principal originou o título do curta-metragem, Três tons sobre o poema de um pintor, com nove minutos de duração.

Existe uma rima entre os tons nesse poema de cores e sons. O vermelho é denso, angustiante e com imagens rápidas. Um maior número de texturas ambienta o momento íntimo da criação frenética e compulsiva, acompanhado do som de um violino. O vermelho é uma cor que possui alta frequência, do mesmo modo que o agudo possui altas frequências nas vibrações sonoras. Para realizar esse paralelo, foi escolhida a Sonata para o violino número 6 de Paganini para ilustrar a primeira parte do trabalho, o tema sobre um violino vermelho.

Para a segunda parte – Tema sobre um violoncelo azul -, a trilha escolhida foi Adágio Sustenuto, de Chopin. Em harmonia com o timbre, o azul domina a imagem. Retrata o corpo, a inspiração da arte e o contemplativo. Possui movimentos lentos, cadenciados, em oposição ao primeiro tema, estabelecendo uma antítese tanto em relação à cor quanto ao movimento.

Imagem do curta Três tons sobre o poema de um pintor

Por fim, usou-se o branco no clássico ato de desconstrução, de morte do artista, representando o processo natural de entendimento e de criação artística. Todo o processo de criação encerra-se, a partir de determinado ciclo. O branco, portanto, significa o eterno construir e desconstruir da arte, o fim de um trabalho e o início do seguinte.

Por vezes apenas o traço da silhueta do rosto do pintor é percebido. É um processo de metonimização da imagem, com a finalidade de utilizá-la como uma parte da camada. A música ao fundo pertence a Rachmaninoff. O curta-metragem Três Tons sobre o poema de um pintor explora a sinestesia existente entre a imagem e o som.

O trabalho foi exibido em diversos festivais nacionais e teve sua estreia internacional no 55º Festival Internacional de Montecatini, na Itália, em julho de 2004. No ano seguinte, foi exibido no Asolo Art Film Festival, um evento dedicado a filmes de arte na Itália, e no Festival Internacional de Cinema de Vinã del Mar, no Chile. No ano de 2005, recebeu uma menção honrosa no Cine Vídeo 2005, Festival Nacional de Cinema e Vídeo da UFRJ.

Esse curta-metragem é o único registro realizado do processo de composição do Artista Plástico Morvan Brandão. Na imagem abaixo, podemos ver o quadro final criado especialmente para as filmagens. Nascia um diálogo entre a pintura, a música e o cinema no primeiro trabalho realizado pelo grupo Cinema de Poesia.

Quadro finalizado

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